
Andrea Moura
Minha história não cabe em linhas retas. Ela é feita de curvas, transições e, principalmente, de encontros. Fui educada pelos valores de meu avô — meu pai de alma e adoção — que me ensinou, antes de qualquer livro, o valor da lealdade e do acolhimento. Foi com esse olhar que comecei minha jornada no interior de Minas Gerais.
Ainda muito jovem, tive a honra de ser escolhida pela população como Conselheira Tutelar em minha cidade (São Gonçalo do Pará) — sendo uma das mais jovens a assumir essa responsabilidade na época. Paralelamente, atuei na área da saúde como técnica em enfermagem e instrumentadora cirúrgica. Ali, aprendi que a dor humana nunca é apenas física; ela exige presença e cuidado integral.
O Direito lapidou em mim o senso de justiça, levando-me às Perícias Judiciais. Nesta trajetória, realizei especializações técnicas em Portugal voltadas para a análise documental, de áudios e vídeos. Mas algo pulsava mais forte: a necessidade de entender o que está por trás do processo — o coração do ser humano. Essa busca me trouxe à Psicologia.
Meus estágios e atuações foram em lugares de fôlego: passei pelo sistema prisional (APAC e Neves/GPA), por Escolas, pela Clínica e pelo Hospital Paulo de Tarso, onde os cuidados paliativos me ensinaram sobre a delicadeza do tempo e da finitude. Vivenciar esses contextos me deu uma certeza: não existem pessoas prontas ou perdidas, existem fenômenos humanos que precisam ser compreendidos com dignidade.